Por Fabiana Petrini
A polêmica discussão sobre a legalização do aborto exige uma análise sob vários aspectos: éticos, morais, científicos, jurídicos, teológicos e sobretudo aspectos políticos e econômicos. Segundo o governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), "a questão da interrupção da gravidez tem tudo a ver com a violência pública." Cabral defende a legalização do aborto como forma de conter a violência no Rio de Janeiro. O problema da legalização da interrupção voluntária da gravidez se insere num contexto bem mais amplo que a simples discussão desses aspectos.
Que o início da vida começa na concepção é fato, essa questão é indiscutível pelos defensores da vida, pela ciência e até mesmo pelos que defendem a legalização do aborto. O Brasil tem se destacado por ser uma região onde existem as maiores restrições à interrupção da gravidez.
O governador fluminense destacou em entrevista ao site G1, a questão financeira onde no caso de uma menina de classe média que queira interromper a gravidez terá dinheiro e estrutura familiar para procurar uma clínica adequada, mesmo que seja ilegal. "Agora, a filha do favelado vai levar para onde, se o Miguel Couto não atende? Se o Rocha Faria não atende? Aí, tenta desesperadamente uma interrupção, o que provoca situação gravíssima" , afirmou Cabral. As leis punitivas acabam levando as mulheres à clandestinidade, a realizar abortos em condições precárias tendo como resultado complicações que se transformam em graves problemas na saúde pública.
O aborto provoca uma em cada oito mortes maternas e o acesso a serviços de aborto seguro poderiam evitar entre 20 e 25% do meio milhão de mortes maternas que ocorrem todos os anos nos países em desenvolvimento. Segundo o Ministério da Saúde, em média 250 mil mulheres são internadas anualmente com complicações decorrentes de abortos clandestinos.
A ilegalidade é responsável pelos altos gastos, por parte dos serviços de saúde pública, no atendimento às mulheres com doenças e seqüelas provenientes de aborto mal feito. Encontramos nesses casos, principalmente, as mulheres de baixo poder aquisitivo, cuja situação financeira não permite acesso a um atendimento adequado, submetendo-se a auto-abortos ou as clínicas clandestinas com pessoas não treinadas.
Legalizar o aborto não significa ser a favor dele. As pessoas são educadas desde crianças com determinados costumes e conceitos, então se alguém de repente é a favor e decide abortar ela está fazendo em sã consciência, o que se deve fazer é esclarecer que, para muitos na sociedade o aborto não é aceito, não é correto, cristão, o que for.
A sanção negativa vai continuar, e muitas mulheres mesmo com a legalização serão contra o aborto, pois a maioria das pessoas não aceitam a interrupção voluntária da gravidez. Uma pessoa que não aborta, não aborta de forma alguma. Mas no caso de uma pessoa que tenha coragem de abortar, ela irá fazer de qualquer jeito, sendo legalizado ou não. A falta de informação é o principal motivo que leva a maioria dos brasileiros a se posicionar contra o aborto. O que deve ser feito é uma grande divulgação com informações, esclarecendo as conseqüências do aborto, desta forma cada uma estará ciente dos resultados que poderão ter, e saberão definir o melhor para seu próprio caso, porém por meios legais, correndo menos riscos.
Nada é dito às mulheres sobre os muitos efeitos prejudiciais da interrupção da gravidez. O aborto não é seguro. Existem inúmeros fatores de risco psicológico que devem ser investigados antes deste procedimento e normalmente não são feitos.
Mulheres que fizeram aborto têm duas vezes mais probabilidade de aborto espontâneo se ficarem grávidas novamente. Outra complicação é a gravidez ectópica (gravidez extra-uterina, fora do útero), uma situação de risco de vida na qual, por causa do tecido fibroso no ventre devido à raspagem do aborto, um óvulo fertilizado é impedido de entrar no útero e assim começa a crescer no tubo falopiano e por fim o rompe. Muitas outras complicações físicas podem surgir.
É necessário mais informação, mais educação para que as pessoas se posicionem melhor sobre isso. A consciência, deve ser trabalhada de forma que a legalização seja feita com tranqüilidade e que isso não seja usado para qualquer caso. Quando me coloco a favor da legalização, penso em casos sérios, situações de riscos, condições precárias, violação, estupro, abuso e não usar o aborto como método contraceptivo, ou abortar covardemente por ter ocorrido um descuido ou relaxamento , nesses casos não existe o mínimo de explicação se é que existem explicações diante de uma situação tão delicada.
O aborto pode ser legalizado, trazendo segurança na decisão de um ato tão complicado e covarde, mas a não aceitação do aborto pode prevalecer.
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